40% das crianças brasileiras vivem em situação de pobreza

Um relatório divulgado esta semana pela Fundação Abrinq traz dados muito triste e chocantes sobre a realidade da infância no Brasil. O levantamento aponta que, entre as crianças de zero a 14 anos, 40,2% delas estão em situação de pobreza. A porcentagem representa 17,3 milhões de menores que têm condições mínimas para sobreviver.

A publicação “A Criança e o Adolescente nos ODS – Marco zero dos principais indicadores nacionais – ODS 1, 2, 3 e 5” compõe uma série de quatro relatórios, que serão publicados no decorrer do 2º semestre, para analisar os principais indicadores nacionais associados a crianças e adolescentes para o monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), traçados pelas Nações Unidas.

O valor da renda per capita (por pessoa) de uma família é utilizado como referência para classificá-la como pobre. No estudo, foram consideradas como em situação de pobreza famílias com renda de até meio salário mínimo por mês (valores de 2015), ou seja, de no máximo, 394 reais por pessoa.

As regiões Norte e Nordeste concentram a maior concentração de jovens nestas condições. Na primeira, 60% da população de até 14 anos foi classificada como pobre. No Nordeste, a porcentagem é somente um pouco menor, 54%. Em números totais, isso significa que, 10,5 milhões de crianças vivem em péssimas condições nestas duas regiões.

O Maranhão é o estado que registra os índices mais alarmantes: 35,2% dos menores de 14 anos estão em condições de pobreza extrema. Ceará (28,6%), Alagoas (28,3%), Bahia (24,7%) e Pará (23,9%) aparecem logo em seguida.

O Sul e Sudeste do país são o que oferecem às melhores condições de vida para as crianças e adolescentes brasileiros, todavia, ainda estão longe de ser ideais. Lá, 23,1% e 27,8%, respectivamente, são tidas como pobres.

O Centro-Oeste e o Sudeste também apresentam estatísticas semelhantes. No centro do país, 28,4% dos jovens vivem em famílias pobres e nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, 27,8%.

O estudo da Fundação Abrinq utilizou como base os números da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015. A entidade, sem fins lucrativos, tem como missão promover a defesa dos direitos e o exercício da cidadania de crianças e adolescentes.

Os dados, que vêm à público através do trabalho da fundação, são importantíssimos, quando se leva em conta, por exemplo, que o período da primeira infância, a fase do nascimento até os 3 primeiros anos de vida de uma criança, estabelecem as bases do desenvolvimento físico, intelectual e psicossocial dela, e que, segundo educadores, oferecerão as condições para que se torne um adulto capaz de conduzir com autonomia e prosperidade o seu futuro.

Ao fazer uma análise mais ampla do resultado do relatório é fácil diagnosticar a ligação direta entre investimento em educação e pobreza. Esta semana mesmo, divulgamos aqui no Conexão Planeta, outra notícia, que falava sobre a falta de acesso à educação que meninas do mundo inteiro enfrentam.

Na matéria, mostra-se como o estudo impacta diretamente a economia. Um levantamento da organização internacional CARE apontou que, se todos os estudantes de países em desenvolvimento pudessem ser ensinados as técnicas básicas de leitura, mais de 170 milhões de pessoas poderiam sair da miséria. E mais! Se o nível de educação fosse melhorado, estas economias teriam um crescimento de 2% por ano, graças somente a este fator.

FONTE: Suzana Camargo. CONEXÃO PLANETA